O bilionário francês Olivier Bouygues e cinco funcionários de sua propriedade estão sendo julgados na França por caça ilegal, destruição de espécies protegidas e maus-tratos a animais. A acusação afirma que os crimes ocorreram na propriedade de Fontenaille, na região de Sologne, ao sudoeste de Paris.
A promotora pública de Orléans, Emmanuelle Bochenek-Puren, pediu na terça-feira (8) que Bouygues seja condenado a cinco anos de prisão com suspensão condicional da pena, multa de € 750 mil e proibição de exercer atividades ligadas à caça por cinco anos. Para os demais réus, entre eles o administrador do local e guardas-caça, foram solicitadas penas de um a quatro anos, também com suspensão condicional, além de multas e suspensão temporária das licenças de caça.
Investigação na propriedade
A propriedade tem 650 hectares e é usada para a criação de cervos, javalis e aves destinadas à caça, como perdizes, faisões e patos. Bouygues, de 75 anos, passa cerca de 50 dias por ano no local, que também recebe integrantes da elite parisiense interessados na atividade.
Em uma operação realizada em 4 de junho de 2025, agentes do Escritório Francês da Biodiversidade e policiais encontraram uma vala com carcaças de animais em avançado estado de decomposição, parcialmente cobertas por cal. Análises de bicos, garras, penas e crânios indicaram a presença de espécies protegidas há mais de 40 anos, como peneireiros-comuns, corvos-marinhos-de-faces-brancas, búteos-comuns e garças-brancas-grandes.
Também foram apreendidas 103 armadilhas de mandíbula, proibidas desde 1995, produtos fitossanitários altamente tóxicos banidos na França desde 2008, armas de fogo irregulares e um esquilo congelado.
Documentos encontrados na propriedade listavam animais considerados nocivos e indicavam recompensas por cada abate, com valores que variavam conforme a espécie. De acordo com a acusação, os registros apontam para a eliminação de animais protegidos e cuja caça é proibida.
Nos celulares apreendidos, os investigadores encontraram vídeos de maus-tratos. Um deles mostra uma garça sendo segurada pelo pescoço e morta a golpes de bastão. Outro registra um gato doméstico eviscerado, segurado pela cauda e lançado em uma vala.
Defesa dos réus
Bouygues afirma que desconhecia as práticas investigadas e atribui a responsabilidade aos funcionários. Durante o depoimento, declarou: “Tenho mais o que fazer do que gerir o dia a dia” da propriedade. Ao comentar a vala com os cadáveres, chamou o local de “fossa ecológica”.
O administrador da propriedade disse que a eliminação de animais considerados prejudiciais à caça era uma prática enraizada entre caçadores da Sologne. Todos os acusados negaram a participação direta do empresário nas mortes e também rejeitaram a acusação de formação de quadrilha.
Cerca de 15 entidades de defesa do meio ambiente ingressaram no processo como partes civis, assim como a Federação Departamental de Caçadores de Loiret. As organizações pedem indenizações de dezenas de milhares de euros por danos ecológicos e morais. O veredicto é esperado para 23 de outubro.







