Os preços das casas subiram 4,7% na União Europeia no segundo trimestre de 2026, acima da inflação de 3,2% no período. Portugal liderou a alta entre 29 países europeus, com avanço anual de 16,5%, seguido pela Bulgária, com 15,5%, segundo dados do Eurostat.
A Lituânia registrou aumento de 14,3%, enquanto Eslováquia, Croácia, Espanha, Romênia, Letônia e Hungria tiveram altas de 13,6%, 12,7%, 12,1%, 12,1%, 11,4% e 10,2%, respectivamente. Também houve crescimento próximo de 10% na Dinamarca, com 9,4%, na Eslovênia, com 9,1%, e na Chéquia, com 8,6%.
Os preços ficaram acima da média da União Europeia em Chipre, Malta, Polônia, Irlanda, Estônia, Áustria e Suécia. As altas nesses países foram de 7,9%, 6,9%, 6,3%, 6%, 5,8%, 5,1% e 4,8%.
Países com queda nos preços
Finlândia, Luxemburgo e França foram os únicos países com retração anual dos preços das casas no período, de 2,7%, 2,2% e 0,8%, respectivamente. Entre as quatro maiores economias da União Europeia, a Espanha teve alta de 12,1%, enquanto a Itália avançou 4%, a Alemanha subiu 0,6% e a França recuou 0,8%.
Mikk Kalmet, especialista imobiliário do Global Property Guide, relacionou os resultados a fatores como escassez de moradias, evolução da renda, condições de crédito imobiliário e tendências demográficas. Em Portugal, ele citou a oferta limitada de novas construções, o investimento estrangeiro, a demanda ligada ao turismo e a falta de moradias.
Na Bulgária, Kalmet apontou o aumento da renda das famílias, o crescimento dos salários, o crédito imobiliário relativamente acessível e a procura por imóveis como investimento. Sobre a Alemanha, Carsten Brzeski e Franziska Biehl, do ING, afirmaram que juros imobiliários mais altos, piora na acessibilidade e menor procura por financiamentos pressionaram o mercado.
Efeito da inflação
Descontada a inflação, os preços das casas cresceram 1,5% na União Europeia. Em Portugal, onde a inflação foi de 3,6%, a alta real chegou a 12,1%.
O crescimento real superou 7% na Eslováquia, com 9,4%, na Bulgária, com 9,1%, na Lituânia, com 8,8%, na Espanha, com 8,3%, na Letônia, com 7,9%, na Dinamarca e na Hungria, ambas com 7,7%, e na Croácia, com 7,5%.
Seis países tiveram queda real. O maior recuo ocorreu em Luxemburgo, de 6,4%, seguido por França, com 3,2%, e Alemanha, com 2%.
Kalmet avalia que a falta de moradias e a procura ainda podem sustentar novas altas em vários mercados, mas considera que o ritmo deve continuar desigual. Ele apontou as taxas de juros como a principal incerteza e afirmou que custos maiores de financiamento, combinados com menor poder de compra devido à alta dos preços da energia, podem reduzir a demanda.







