A economia da Espanha cresceu acima da média da zona do euro durante o mandato de Pedro Sánchez, mas a inflação, a baixa produtividade e a crise habitacional alimentam a percepção de que o avanço econômico não melhorou a vida da população na mesma proporção. O presidente do governo espanhol convocou eleições antecipadas para 29 de novembro.
O produto interno bruto espanhol avançou 2,8% em 2025, e a Comissão Europeia estima crescimento de 2,4% em 2026. Desde a pandemia, o país registra expansão superior à das principais economias da zona do euro. Ainda assim, a produtividade por trabalhador e por posto em tempo integral permaneceu praticamente estagnada. A produtividade por hora melhorou desde 2019.
A Comissão Europeia relaciona parte da distância entre o crescimento agregado e a renda por habitante ao forte aumento populacional, impulsionado pelos fluxos migratórios, e ao desempenho fraco da produtividade do trabalho. Sánchez governa a Espanha desde junho de 2018.
O emprego aumentou 2,6% em 2025, e a imigração se tornou um dos motores do mercado de trabalho. Pessoas nascidas no exterior ocuparam 7,9% dos postos criados naquele ano. Os dados mais recentes também mostram a influência da sazonalidade: em agosto, o desemprego subiu em 44 419 pessoas, para 2 355 918. Em setembro, houve novo aumento de 23 587 desempregados. Os dois resultados foram os menores para esses meses desde 2007.
O setor de serviços, especialmente as exportações e o turismo, sustenta uma parte importante da expansão. Entre janeiro e julho de 2026, a Espanha recebeu 58,1 milhões de turistas internacionais, 4,6% acima do registrado um ano antes. A despesa turística cresceu 7,8%, alcançando 82 054 milhões de euros, conforme dados do Frontur e do Egatur publicados pelo Instituto Nacional de Estatística.
A Comissão Europeia afirma que o aumento das exportações de serviços ampliou o excedente da balança corrente e melhorou a posição de investimento internacional da Espanha. Ao mesmo tempo, alerta que parcela relevante da atividade permanece concentrada em setores de produtividade relativamente baixa, como a agricultura. Mais de 82% dos empregos criados ficaram em atividades desse tipo, o que limitou o potencial de crescimento dos salários.
A inflação também pesa sobre o cenário eleitoral. Em setembro, a taxa homóloga na Espanha chegou a 5%, contra 3,8% na média da zona do euro. O país ficou atrás da Lituânia, com 6,1%, da Bulgária, com 5,6%, de Chipre e Luxemburgo, com 5,2%, e da Grécia, com 5,1%. Em outro dado referente ao mesmo mês, o Instituto Nacional de Estatística informou inflação de 4,9% e atribuiu a alta principalmente ao aumento dos combustíveis e dos pacotes turísticos.
Habitação domina o debate
A crise habitacional concentra a principal tensão entre o desempenho macroeconômico e as condições de vida. A Espanha enfrenta diferença significativa entre oferta e demanda de imóveis para compra e aluguel, sobretudo nas grandes cidades e nas áreas turísticas.
A Comissão Europeia registrou aumento da taxa de privação severa de moradia, associado a condições de vida precárias. O parque habitacional social representa entre 1,5% e 1,7% do total, enquanto a média da União Europeia fica entre 6% e 7%. Os preços dos imóveis sobem de forma contínua desde 2014 e aceleraram nos últimos anos. Os custos elevados também dificultam a mobilidade dos trabalhadores.
A habitação entrou diretamente na disputa política depois que o governo não conseguiu aprovar dois decretos destinados a enfrentar a crise. A falta de apoio dos parceiros de Sánchez no Congresso levou à dissolução das Cortes e à convocação das eleições de novembro.
O balanço econômico do governo combina crescimento, geração de empregos, chegada de trabalhadores estrangeiros e força do turismo com perda de poder de compra, baixa produtividade e dificuldade de acesso à moradia.







