O governo do Reino Unido suspendeu, nesta fase, os pagamentos previstos às Maurícias pelo arrendamento da base militar de Diego Garcia e decidiu reabrir a negociação do acordo sobre as ilhas Chagos. O ministro da Defesa, Wes Streeting, afirmou que o entendimento voltará ao ponto de partida.
O repasse anual seria de pelo menos 120 milhões de libras, equivalentes a 139 milhões de euros. O acordo prevê que o Reino Unido devolva o arquipélago às Maurícias e, depois, alugue por 99 anos a base conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido em Diego Garcia, com possibilidade de prolongamento.
A decisão ocorreu após Donald Trump voltar a criticar o pacto. Em encontro com o primeiro-ministro Andy Burnham, realizado na terça-feira à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o presidente dos Estados Unidos classificou o entendimento como um “acordo terrível”. Burnham, que substituiu Keir Starmer em julho, respondeu: “Sim”.
Em entrevista à BBC, Streeting afirmou que as declarações de Trump deixam clara a oposição do presidente ao acordo na forma atual. O ministro disse que Londres pretende trabalhar com Trump e sua administração para chegar a uma versão que possa apoiar.
Pressão política e histórico do acordo
O pacto foi firmado no ano passado entre Starmer e o governo das Maurícias. Em abril, Londres anunciou que os planos estavam suspensos. Trump havia apoiado inicialmente a proposta, mas depois passou a rejeitá-la e a chamou de “um ato de grande estupidez”.
James Cartlidge, porta-voz da Defesa dos conservadores, defendeu a revogação completa do acordo. Streeting rejeitou a posição e afirmou à Times Radio que abandonar a negociação não seria uma estratégia sensata diante da importância de Diego Garcia para a segurança nacional.
As ilhas permaneceram sob controle britânico quando as Maurícias se tornaram independentes, na década de 1960. Milhares de habitantes foram expulsos e moveram ações de indenização nos tribunais britânicos. Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça concluiu que o Reino Unido separou ilegalmente Chagos das Maurícias.
Jack Pannell, do British Foreign Policy Group, avaliou que as chances de avanço nas negociações são reduzidas. Na terça-feira, Trump também assinou um acordo de segurança com líderes da Gronelândia e da Dinamarca que permitirá aos Estados Unidos construir duas bases militares no sul e no leste da ilha.







