São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Rochas porosas podem armazenar energia suficiente para abastecer cidades

Estudo português estima que um reservatório subterrâneo poderia alcançar até 1 TWh de capacidade em condições favoráveis.

Rochas porosas podem armazenar energia suficiente para abastecer cidades

Um estudo de pesquisadores portugueses avaliou o uso de rochas porosas profundas para armazenar energia na forma de ar comprimido. No cenário considerado mais favorável, um único reservatório poderia chegar a 1 TWh de capacidade, volume próximo ao consumo de algumas cidades médias de Portugal.

A técnica aproveita eletricidade excedente de fontes renováveis, como energia eólica e solar. Compressores enviam ar por um poço até uma camada de rocha porosa, onde ele ocupa espaços normalmente preenchidos por água salgada não potável. Quando há necessidade de geração, o ar retorna à superfície, movimenta turbinas e produz eletricidade sem queima de combustível.

Estimativas do estudo

A pesquisa foi realizada por equipes da Universidade Nova de Lisboa e do Instituto Dom Luiz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e publicada na revista Geoenergy. O trabalho comparou condições geológicas e termodinâmicas em diferentes profundidades para estimar a energia que poderia ser armazenada.

O cenário mais favorável apontou densidade energética de até 156 kWh m−3 e capacidade de armazenamento de até 1 TWh, considerando uma profundidade máxima de operação de 3000 m. Ricardo Pereira, pesquisador do GeoBioTec da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade NOVA de Lisboa, ressaltou que se trata de uma projeção máxima, dependente da combinação de condições ideais.

A tecnologia é apresentada como alternativa ao armazenamento de curta duração feito por baterias de íons de lítio. O armazenamento subterrâneo com ar comprimido pretende operar por períodos mais longos e usar formações rochosas disponíveis em larga escala.

A Comissão Europeia considera o aumento da capacidade de armazenamento indispensável. A Europa tem atualmente cerca de 55 gigawatts e estabeleceu como meta chegar a 200 gigawatts até 2030. O objetivo é reduzir restrições na rede, que elevam o risco de apagões e a dependência de combustíveis fósseis importados.

Uso na estabilidade da rede

O sistema também poderia contribuir para a retomada de uma rede elétrica sem depender de uma fonte externa, processo conhecido como “black start”. Como o ar comprimido pode ser liberado rapidamente, a tecnologia teria capacidade de ajudar no ajuste da potência da rede.

Pereira afirmou que, se o sistema já estivesse em operação em 2025, poderia ter amenizado parte dos problemas associados ao apagão ibérico. O pesquisador também ponderou que a tecnologia não resolveria sozinha uma ocorrência desse porte, mas poderia auxiliar no gerenciamento da rede.

Em Portugal, estão em andamento estudos para identificar áreas adequadas e avaliar suas características geográficas. Entre as regiões com potencial citadas estão Lisboa e Almada. O aprofundamento do reservatório, segundo a pesquisa, pode ampliar a quantidade de energia liberada e permitir comparações com o consumo de localidades litorâneas, especialmente cidades industrializadas.

Obstáculos para a implantação

A tecnologia ainda não está em funcionamento em Portugal. O pesquisador estima um prazo de cinco a dez anos para percorrer etapas como análise geológica, perfuração de poços, projeto piloto e operação.

O principal entrave apontado é regulatório. Segundo Pereira, não há legislação específica para autorizar projetos desse tipo no país. Sem regras próprias, empresas interessadas não conseguiriam iniciar estudos consistentes nem avançar para uma instalação piloto.

A viabilidade financeira é considerada favorável em comparação com alternativas como o hidrogênio verde, que teria custos elevados. China e Alemanha foram citadas como países que investem ou estudam projetos semelhantes, embora essas iniciativas exijam tempo para planejamento, engenharia e entrada em funcionamento.

A pesquisa também menciona a Bacia Lusitânica, faixa geológica entre Lisboa e Aveiro com formações rochosas que poderiam servir como reservatórios. A região reúne áreas industrializadas e disponibilidade de energia eólica, solar e hídrica.

Pereira estima que a tecnologia possa reduzir o consumo de gás natural em determinadas localidades durante a noite. O impacto poderia ser medido em reduções de 5, 10 ou 15%, dependendo do local e da escala de uso. Para o pesquisador, a metodologia tem potencial para contribuir com a rede energética e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, desde que os estudos e a regulamentação avancem.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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