A Rússia pediu ao Vietnã o aluguel temporário de aviões de passageiros, tripulações e serviços de manutenção, enquanto enfrenta a deterioração da frota retida após a invasão da Ucrânia. O ministro dos Transportes, Andrei Nikitin, afirmou que Hanói analisa a proposta de contratos de wet lease, que incluem aeronave, tripulação, manutenção e seguro.
A principal companhia aérea vietnamita opera apenas aeronaves Airbus e Boeing. Por isso, uma eventual transferência para empresas russas envolveria aviões fabricados no Ocidente e poderia expor companhias do Vietnã a sanções secundárias dos Estados Unidos. A Etiópia recusou uma proposta semelhante por esse risco.
Contatos com outros países da Ásia, da África e do Oriente Médio não produziram resultado até agora.
Frota russa sob pressão
Após a invasão em grande escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022, sanções atingiram o setor aéreo russo. Moscou também aprovou uma lei que permitiu às companhias manter aviões alugados no exterior, em vez de devolvê-los aos proprietários.
Antes da invasão, cerca de 850 dos 900 aviões comerciais russos eram modelos Boeing ou Airbus fabricados nos Estados Unidos e na Europa. Aproximadamente 85% estavam alugados de empresas estrangeiras. Com a interrupção do acesso a peças e serviços técnicos ocidentais, companhias russas passaram a retirar componentes de aeronaves paradas para manter outras em operação.
A Organização da Aviação Civil Internacional afirma, em suas normas, que cada componente deve ter histórico de manutenção certificado e rastreável. A Rosaviatsia, reguladora russa, emite certificados próprios para peças que não são reconhecidos pelas autoridades de aviação da União Europeia e dos Estados Unidos.
Dos 673 aviões operados pelas 11 maiores companhias aéreas russas, 130 estão fora de serviço, quase um quinto da frota. A taxa considerada normal é de cerca de 10%. Entre as empresas que não pertencem ao grupo Aeroflot, 93 dos 322 aviões estão parados.
Combustível e aviões nacionais
Também há restrições ao abastecimento em pelo menos 26 grandes aeroportos. Em São Petersburgo, Kaliningrado, Ecaterimburgo, Kazan, Ufa, Irkutsk e Vladivostok, o combustível é limitado ao volume necessário para um único voo. Sochi, Volgogrado e Astracã aplicaram limites a todas as transportadoras.
Os ataques de drones ucranianos contra refinarias russas reduziram a produção de combustível, e o governo restringiu as exportações de combustível de aviação.
Os ministérios dos Transportes e da Indústria e a Rostec discutem uma taxa sobre passageiros para financiar a compra e a operação de aviões produzidos na Rússia. A cobrança pode chegar a 500 rublos por bilhete doméstico e a mil rublos por voo internacional.
Os modelos MC-21 e Tu-214 são mais caros de operar que os Boeing e Airbus que pretendem substituir. Por isso, dependem de subsídios estatais ou de recursos pagos pelos passageiros, enquanto analistas alertam que tarifas mais altas podem reduzir o número de passageiros e as receitas das companhias aéreas.







