São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Vigilância por IA entra na disputa pelo Congresso dos Estados Unidos

Câmeras que rastreiam veículos e reconhecimento facial geram investigações, processos e pressão sobre candidatos antes das eleições legislativas.

Vigilância por IA entra na disputa pelo Congresso dos Estados Unidos

Tecnologias de vigilância baseadas em inteligência artificial passaram a ocupar espaço central na disputa eleitoral dos Estados Unidos. O uso de leitores automáticos de placas e de reconhecimento facial por órgãos de imigração provocou investigações, ações judiciais e reação de organizações civis, parlamentares e eleitores preocupados com privacidade e direitos civis.

A controvérsia envolve especialmente a Flock Safety, empresa que lidera o mercado norte-americano de câmeras capazes de identificar placas. Desde 2020, a companhia instalou mais de 120 mil equipamentos no país e alcançou avaliação superior a US$ 8 bilhões. Em seis anos, passou a fornecer sistemas para cerca de 40% das forças policiais dos Estados Unidos.

Entre os clientes estão departamentos municipais, escritórios de xerifes, polícias estaduais e órgãos de segurança do Texas e de outros estados. A tecnologia também se espalhou por condomínios, centros comerciais, redes varejistas e empresas. A Flock afirma que sua rede registra mais de 20 bilhões de leituras de placas por mês.

Com os dados acumulados, seria possível reconstruir deslocamentos e identificar trajetos de veículos. Os equipamentos foram apresentados inicialmente como instrumentos para encontrar carros roubados, localizar suspeitos e apoiar investigações criminais. Denúncias recentes, porém, apontaram usos diferentes dessas finalidades.

Em mais de 50 casos documentados, policiais teriam consultado a plataforma para acompanhar companheiras ou ex-companheiras. Organizações civis também afirmam que agentes recorreram aos registros para identificar manifestantes a partir das placas de veículos estacionados perto de protestos.

No Texas, uma denúncia relatou que um policial teria usado o sistema para verificar se uma mulher havia ido a uma clínica que realiza procedimentos de interrupção da gravidez. A repercussão levou à formação de grupos voltados a localizar e catalogar câmeras, além de pressionar governos locais a romper contratos com a empresa.

Reação de autoridades e do Congresso

Desde o início de agosto, dezenas de municípios suspenderam ou encerraram acordos com a Flock. O governador do Texas congelou recursos para ampliar os sistemas, enquanto autoridades da Flórida proibiram leitores automáticos de placas nas rodovias estaduais.

Parlamentares abriram apurações sobre a coleta, o armazenamento e o compartilhamento das informações pela empresa, inclusive em situações sem autorização judicial. Sob pressão, a Flock alterou seus protocolos e reduziu o período de retenção dos dados de 30 para sete dias.

A mudança não encerrou a disputa. Candidatos que apoiaram a expansão dos equipamentos passaram a ser questionados por adversários e eleitores. Com a aproximação das eleições de novembro, o tema se tornou um possível ponto de desgaste para quem defendeu esses sistemas ou financiou sua instalação.

A discussão ocorre ao mesmo tempo em que cresce a pressão sobre a polícia de imigração dos Estados Unidos, conhecida como ICE. A agência ampliou investimentos em vigilância digital, reconhecimento facial e análise automatizada de informações. Seu orçamento alcança US$ 28 bilhões.

Relatos de cidadãos norte-americanos aumentaram as críticas. Emily Bells, moradora de Minneapolis, afirma em uma ação judicial que uma agente de imigração citou seu endereço durante uma abordagem. Segundo Bells, pessoas que estavam em um veículo disseram que a levariam de volta para casa enquanto repetiam seu nome.

Nicole Cleland, voluntária de um grupo que acompanha atividades da polícia migratória em Minnesota, contou que um agente a chamou pelo nome apesar de nunca tê-la encontrado. Mais tarde, ela disse ter recebido a informação de que sua identidade havia sido obtida por reconhecimento facial.

Uso de reconhecimento facial

As denúncias envolvem o Mobile Fortify, aplicativo usado pela ICE para escanear rostos e consultar informações como identidade, endereço e situação administrativa. Criado inicialmente para agentes próximos à fronteira com o México, o sistema passou a ser utilizado em outras partes do país.

Uma ação judicial em Illinois afirma que o Departamento de Segurança Interna recorreu à ferramenta mais de 100 mil vezes para examinar rostos e impressões digitais no estado. A acusação diz que cidadãos dos Estados Unidos foram fotografados ou submetidos a verificações biométricas sem consentimento.

Parlamentares apresentaram o projeto ICE Out of Our Faces Act, que pretende restringir o uso de sistemas biométricos e estabelecer mecanismos de supervisão. O Departamento de Segurança Interna nega as acusações e afirma que o aplicativo segue parâmetros rigorosos, consulta apenas bases restritas da imigração e não utiliza redes sociais nem informações públicas.

A ICE também emprega programas para reunir dados de localização de milhões de celulares e ferramentas que analisam redes sociais com inteligência artificial. Para especialistas em direitos digitais, a combinação entre orçamento, tecnologia e mecanismos de supervisão reduzidos ampliou o risco de abusos.

No período que antecede a disputa pelo Congresso, o uso dessas ferramentas deixou de ser tratado apenas como uma questão operacional de segurança. Candidatos passaram a ser cobrados sobre os limites da atuação do Estado e sobre a proteção da privacidade.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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