O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou neste sábado (3) que o país vai intensificar os ataques contra refinarias russas. A medida, segundo ele, será uma resposta à nova estratégia de bombardeios aéreos conduzida por Moscou e terá como alvo o setor energético, não civis.
Zelensky disse que os serviços de inteligência ucranianos obtiveram documentos segundo os quais Vladimir Putin definiu uma “nova doutrina” de ataques contra infraestruturas, logística, estradas, escolas e hospitais. A avaliação ucraniana é que a estratégia busca pressionar moradores a deixar Kiev e outras cidades com a aproximação do inverno. O Kremlin não estava disponível para comentar as informações.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia declarou que manteria os ataques contra Kiev e outras cidades ucranianas e recomendou que estrangeiros e diplomatas deixassem a capital. Rússia e Ucrânia negam realizar ataques deliberados contra civis.
Zelensky afirmou que a contraofensiva ucraniana chamada “Vivaldi” permitiu recuperar cerca de 140 quilômetros quadrados no Donbass, região cujo controle total é reivindicado pela Rússia. Ele também disse que Moscou não demonstra interesse em negociações de paz ou em um cessar-fogo voltado às infraestruturas energéticas.
Na quarta-feira, bombardeios russos atingiram Kiev e sua região e deixaram sete mortos, entre eles uma criança. Na sexta-feira, outro ataque matou uma pessoa na capital e provocou o fechamento temporário de duas pontes sobre o rio Dnipro.
“Diante dos ataques ao nosso setor energético, devemos responder atingindo o setor energético deles”, declarou Zelensky, ao citar as refinarias de petróleo como fonte de recursos para financiar a guerra. Ele acrescentou que a Ucrânia não atacaria alvos civis da mesma forma que a Rússia.
Negociações e defesa aérea
O presidente ucraniano pediu aos Estados Unidos que não normalizem as relações com a Rússia antes de haver perspectivas concretas de paz. Zelensky afirmou estar disposto a se reunir com Putin durante a cúpula do G20 prevista para dezembro, em Miami, mas rejeitou uma simples “normalização” das relações com Moscou.
No fim de setembro, Zelensky se reuniu com Donald Trump durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Em 13 de setembro, o presidente americano havia pedido que a Ucrânia deixasse de atacar refinarias russas produtoras de diesel.
Autoridades ucranianas afirmam que a Rússia armazenou centenas de mísseis balísticos para uma ofensiva de inverno contra redes elétricas e hidráulicas. Desde o verão, Moscou também lança diariamente dezenas de drones Shahed a jato.
Segundo Zelensky, caças F-16 e MiG derrubaram cerca de 60% desses drones, mas a munição disponível está se esgotando. A Ucrânia desenvolve cinco modelos de drones interceptadores e anunciou o primeiro uso em combate do míssil balístico nacional FP-7, com alcance aproximado de 250 quilômetros. Zelensky também cobrou rapidez no desenvolvimento do FP-9, que, segundo a fabricante Fire Point, poderia atingir Moscou.







