São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Política

Flávio amplia apoios e defende mudanças na Constituição após primeiro turno

Cientistas políticas avaliam que o favoritismo pode estimular declarações arriscadas e desmobilizar eleitores no segundo turno.

Flávio amplia apoios e defende mudanças na Constituição após primeiro turno

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8) aponta Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos no segundo turno, contra 48% de Lula (PT). Em votos totais, o senador aparece com 49% e o presidente, com 45%. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02949/2026, informa que brancos, nulos e indecisos somam 6%. No primeiro turno, realizado no domingo (4), Flávio ficou à frente de Lula e obteve 47% dos votos, ante 45,2% do petista. A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro.

Propostas e mudanças constitucionais

Após o resultado, Flávio passou a defender propostas que não estavam entre os temas centrais de sua campanha. Na terça-feira (6), criticou a discussão sobre o fim da escala 6 por 1. No dia seguinte, questionou a proibição das apostas online, conhecidas como bets. As duas medidas são apoiadas pelo governo Lula e, segundo pesquisas citadas no levantamento, têm boa aceitação da população.

O candidato propôs uma escala de trabalho flexível com redução salarial e defendeu a proibição de cassinos online, mantendo as apostas esportivas. Também afirmou que pretende usar a maioria de seus apoiadores na Câmara e no Senado para alterar a Constituição Federal de 1988.

Depois de receber críticas relacionadas a um possível autoritarismo, Flávio disse na quarta-feira (7) que as mudanças envolveriam a reforma do Judiciário, a redução da maioridade penal e o fim da reeleição. Daniella Marques, coordenadora do núcleo econômico e porta-voz da campanha, afirmou ainda que um eventual governo acabaria com o split payment, mecanismo da reforma tributária que separa o imposto no momento do pagamento e o envia diretamente ao Fisco.

Para Tathiana Chicarino, professora de ciência política da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a postura do candidato é incomum diante de um plano de governo pouco claro. Monalisa Soares, professora de ciência política da Universidade Federal do Ceará, avaliou que a fala sobre a Constituição indica uma projeção de vitória e permite ao candidato abordar temas mais amplos antes não apresentados.

Apoios e riscos eleitorais

A perspectiva de vitória levou partidos a declarar apoio a Flávio. A federação União Brasil-Progressistas e os partidos Republicanos, Novo e Podemos anunciaram adesão à candidatura na terça-feira (6), quarta-feira (7) e quinta-feira (8), respectivamente.

A federação terá 87 deputados em 2027. O Republicanos terá 41; o Novo, 10; e o Podemos, 27. Também foram discutidos nomes para uma eventual Esplanada dos Ministérios, entre eles Adolfo Sachsida, Adriano Pires, Daniella Marques, Guilherme Derrite, Marcelo Kayath, Pedro Lupion e Ronaldo Caiado.

Chicarino considerou esperada a reorganização política depois do primeiro turno e citou os apoios de Romeu Zema, Ronaldo Caiado e da federação União Brasil-Progressistas. Soares afirmou que as adesões ampliam as bases de Flávio, mas ponderou que o apoio de lideranças não se converte automaticamente em votos.

As duas professoras também apontaram riscos no clima de favoritismo. Segundo Chicarino, a sensação de vitória antecipada pode levar o candidato a fazer declarações que provoquem desconforto em parte do eleitorado. Soares afirmou que respostas exigidas por essas falas podem colocar a campanha em situação desfavorável.

Esse ambiente também pode desmobilizar eleitores de Flávio que acreditem que a eleição já está decidida. No primeiro turno, a vantagem do candidato sobre Lula foi de 2,2 milhões de votos, enquanto 33,4 milhões de eleitores se abstiveram. Para Soares, a percepção de vitória garantida ainda pode dificultar a conquista de quem votou em outros candidatos e estimular a mobilização da oposição.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5