O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou no Parlamento que deixará o cargo quando o governo terminar ou quando o primeiro-ministro decidir. A declaração ocorreu durante uma audiência na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, antes do debate e da votação de uma moção de censura apresentada pelo Chega.
Questionado por Pedro Pinto, do Chega, sobre quando deixaria o governo, Luís Neves respondeu: “Quando é que me vou embora? Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender”. Pinto acusou o ministro de não ter esclarecido as polêmicas relacionadas à sua atuação e disse que ele “não tem condições nem credibilidade” para liderar a Administração Interna.
Luís Neves afirmou estar disponível para prestar esclarecimentos em local próprio e recusou antecipar o resultado dos inquéritos e das investigações em andamento.
Segurança e atuação do ministério
Na audiência, o ministro apresentou um balanço das ações realizadas desde que assumiu a pasta. Ele defendeu a necessidade de colocar mais segurança nas ruas, modernizar os instrumentos de segurança e ampliar a capacidade do Estado.
Sobre a segurança em Lisboa e no Porto, reconheceu que a população quer mais recursos e considerou que essa demanda é legítima. Também afirmou que a PSP tem falta de meios e defendeu uma reorganização dos recursos. Em Lisboa, a previsão é retirar 400 policiais de tarefas administrativas. No total, 500 agentes seriam direcionados ao trabalho nas ruas.
Luís Neves afirmou que os problemas de segurança não devem ser minimizados, citando o chamado “gang do Rolex”. Ao mesmo tempo, disse que “nunca haverá zero crimes” e avaliou que os dados não sustentam um cenário de insegurança generalizada. Segundo ele, o aumento dos registros também pode estar relacionado a uma maior atuação policial.
Sobre aeroportos e fronteiras, o ministro disse ter encontrado uma situação de grande instabilidade. Afirmou que, desde domingo, a coleta de dados biométricos passou a ser feita em 100% dos casos, sem interrupções, com reforço de pessoal e cooperação. De acordo com ele, os tempos de espera diminuíram significativamente.
Na segurança viária, destacou a aprovação da estratégia de prevenção 2030, que recebeu mais de 60 contribuições de instituições diferentes e tem como objetivo reduzir o número de mortos e feridos graves. Também mencionou o retorno da Brigada de Trânsito da GNR.
Incêndios e sistema de comunicação
O ministro afirmou que a área atingida por incêndios rurais até o momento é 74% menor que a registrada no mesmo período de 2025. Segundo ele, cerca de 95% dos incêndios foram controlados na fase inicial, resultado atribuído ao trabalho dos bombeiros.
Sobre o SIRESP, Luís Neves disse que uma nova direção foi nomeada após o apagão de 2025 e que está em andamento uma renovação técnica do sistema, com investimento de 35 milhões de euros. Ele afirmou que a rede teve desempenho “notável” durante os grandes incêndios deste ano e não recebeu reclamações dos usuários.
Para os próximos anos, defendeu um planejamento plurianual dos recursos da GNR e da PSP. Também destacou que este é o primeiro ano, nos últimos 15, em que a PSP abriu dois concursos para responder à necessidade de renovar suas equipes.
Investigações sobre a Polícia Judiciária
Luís Neves também falou sobre as controvérsias relacionadas ao período em que dirigiu a Polícia Judiciária. Ele afirmou estar “inteiramente disponível para o escrutínio” e admitiu que alguma decisão pode ser considerada equivocada pelas autoridades competentes.
Os casos incluem suspeitas de irregularidades em obras realizadas em uma propriedade do ministro em Odemira por um empreiteiro que venceu 17 contratos de obras para a Polícia Judiciária. Também são investigadas a entrega ao mesmo empreiteiro de um reboque apreendido em uma operação contra o tráfico de drogas e a utilização, por Luís Neves, de um carro apreendido em um processo que envolveu o traficante conhecido como “Xuxas”.
Os três casos são investigados pelo Ministério Público. Há ainda processos no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e no Tribunal de Contas relacionados à atuação de Luís Neves como diretor nacional da Polícia Judiciária.
O ministro afirmou que sua conduta foi correta e que nenhuma decisão teve como objetivo enriquecê-lo ou beneficiar terceiros, nem prejudicar o interesse público. A moção de censura apresentada pelo Chega ao governo seria debatida e votada no mesmo dia, com rejeição já garantida. Essa é a terceira moção de censura enfrentada por Luís Montenegro. As controvérsias envolvendo Luís Neves deram origem a três inquéritos-crime, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação administrativa.







