O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que eventuais irregularidades cometidas por ministros do Supremo Tribunal Federal sejam investigadas e julgadas, com direito de defesa. A declaração ocorreu após uma sessão extraordinária sobre relatório da Polícia Federal envolvendo mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado”, afirmou Lula. Ele disse que a regra também vale para si, Moraes e Fachin, sem defender tratamento diferenciado para autoridades.
Ao comentar a indicação de Moraes para o STF, o presidente ressaltou que a escolha foi feita por Michel Temer, em 2017, quando Lula não ocupava a Presidência. Moraes havia sido nomeado para a Corte pelo então presidente, e não pelo atual governo.
Lula também mencionou André Mendonça e Kassio Nunes Marques, indicados por Jair Bolsonaro, para sustentar que as escolhas dos ministros não são responsabilidade de sua administração. A referência ocorreu em meio às discussões sobre as mensagens apreendidas no celular de Vorcaro.
A fala foi dada em entrevista ao podcast Desce a Letra. Na ocasião, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro era senador quando Moraes foi indicado e que poderia ter votado na escolha. Flávio, porém, só assumiu o mandato de senador em 2019; na época da indicação, era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Avaliação sobre Moraes
Embora tenha procurado se desvincular da nomeação, Lula fez uma avaliação positiva da atuação de Moraes nas eleições de 2022, quando o ministro presidia o Tribunal Superior Eleitoral. O presidente disse que Moraes prestou serviços à democracia ao enfrentar tentativas de Jair Bolsonaro de desacreditar as urnas eletrônicas.
A estratégia política de Lula busca responder à associação feita pela oposição entre o presidente e o ministro. A trajetória de Moraes inclui decisões contrárias a interesses do PT antes de sua chegada ao STF. Em 2018, ele votou contra um habeas corpus apresentado pela defesa de Lula contra a prisão após condenação em segunda instância.
Lula atribuiu motivação política aos ataques de Flávio Bolsonaro contra Moraes. Segundo o presidente, a ofensiva estaria relacionada a decisões do ministro contra Jair Bolsonaro e outros investigados na trama golpista, incluindo a prisão do ex-presidente e de envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.







