NOVA YORK — O presidente Lula defendeu a soberania brasileira durante o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira 22. Ele rejeitou interferências externas em processos eleitorais, pediu cooperação internacional contra o crime organizado e criticou o funcionamento do Conselho de Segurança.
Ao abordar a integração latino-americana, Lula afirmou que diferenças ideológicas não deveriam impedir parcerias entre os países da região. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, declarou, ao rejeitar a criação de zonas de influência na América Latina.
Lula também relacionou a defesa da soberania à eleição brasileira. Segundo ele, milhões de brasileiros irão às urnas em 4 de outubro para escolher presidente, governadores e representantes do Legislativo. O presidente classificou o pleito como “transparente e competitivo” e disse que não permitirá interferências externas nem ataques à vontade popular.
Ele citou redes de desinformação e afirmou que algumas figuras usam a liberdade de expressão para se associar a interesses estrangeiros contrários ao Brasil. Também defendeu o sistema eleitoral brasileiro, que classificou como “moderno e robusto”.
Crime organizado, bets e Pix
Na área de segurança, Lula rejeitou a presença militar estrangeira nas águas brasileiras e pediu ações contra o fluxo internacional de armas e dinheiro. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, afirmou.
O presidente citou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, criado em Manaus e integrado por autoridades dos nove países amazônicos. Também disse que o Brasil realizou, em 2025, “a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil” e registrou recorde na apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos.
Lula mencionou ainda uma proposta apresentada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para combater a lavagem de dinheiro feita por criminosos brasileiros no exterior. Em maio deste ano, o governo Trump classificou o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como “terroristas”.
Ao falar sobre tecnologia, o presidente criticou a indústria das bets e afirmou que o governo defenderá o Pix contra interferências externas. Para Lula, o sistema é uma infraestrutura pública e gratuita de pagamentos.
Críticas à ONU
Lula afirmou que a ONU falha na missão de evitar guerras e que sua credibilidade “nunca esteve tão baixa”. Ele atribuiu parte do problema ao Conselho de Segurança e voltou a criticar o direito de veto das grandes potências.
O presidente disse que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e defendeu uma reunião dos líderes dos países que integram o Conselho de Segurança.







