O ministro do Supremo Tribunal Federal Nunes Marques deixou o plenário da Corte nesta terça-feira 15 e não participará da análise sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. A decisão foi tomada durante o julgamento e ocorreu após a entrega de novas mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos ministros do STF.
Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques afirmou que o processo pode produzir efeitos sobre a disputa eleitoral. “Eu não tenho dúvida de que, em que pese, e os debates vão fluir, que esse julgamento eventualmente pode também impactar no cenário político-eleitoral”, disse. Na sequência, declarou: “na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo o meu impedimento”.
As mensagens mencionam o ministro e seu filho, o advogado Kevin Marques. Em uma das conversas, são citados pagamentos mensais de 500 mil reais que seriam destinados ao advogado por meio da Consult Inteligência Tributária. A assessoria de Kevin nega que ele tenha prestado serviços ao Banco Master ou recebido valores de Vorcaro. Segundo a defesa, os 281,6 mil reais recebidos foram pagos pela Consult por serviços jurídicos.
Outro conjunto de mensagens faz referência a um julgamento envolvendo a destilaria Alcídia. Nunes Marques havia se declarado impedido inicialmente, mas depois reviu a posição e votou pela tese favorável à empresa. A assessoria do ministro afirma que ele havia sido considerado impedido por ter atuado no caso como vice-presidente do TRF-1 e que, posteriormente, concluiu não haver impedimento técnico. Também sustenta que a decisão não envolvia o Banco Master e que o ministro nunca votou a favor da instituição.
As conversas ainda citam o próprio Nunes Marques. Uma mulher identificada como Rayanna afirma que uma amiga teria “ficado com o Kassio” e menciona uma cobrança de 10 mil reais. O ministro negou o encontro. Em outra mensagem atribuída a ele, há um pedido de ajuda a um operador de viagens ligado a Vorcaro para organizar uma viagem para cinco pessoas. O conteúdo não informa quem teria pago as despesas.
Apesar das referências, Nunes Marques afirmou que sua atuação não está comprometida. Disse que nunca relatou processo relacionado ao Banco Master, que seu filho nunca prestou serviços ao banco e que não recebeu dinheiro de Vorcaro. Também declarou não haver mensagens trocadas diretamente entre ele e o ex-banqueiro. Para o ministro, a confirmação da prisão de Vorcaro e de outros investigados demonstra sua independência.
Com o impedimento, Nunes Marques não participará da decisão sobre a eventual investigação de Moraes.







