MARANHÃO — Endereços de internet associados à rede da Secretaria de Estado de Governo aparecem em registros de criação e acesso de duas contas do Instagram que promoviam Orleans Brandão (MDB). Os dados foram fornecidos pela Meta à Justiça Eleitoral e integram uma ação apresentada pela coligação de Felipe Camarão (PT) contra a campanha do candidato.
O processo tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão desde 16 de setembro. A representação acusa Brandão de abuso de poder político e econômico e de uso indevido dos meios de comunicação. Orleans é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).
A identificação de um endereço IP, porém, não determina sozinha quem usava o dispositivo ou fazia o acesso. De acordo com a ação, um IP supostamente vinculado à Secretaria de Estado de Governo foi usado para criar, em 28 de janeiro, às 15h09, o perfil @suldomacomorleans. Três segundos depois, a mesma conta foi acessada pelo mesmo endereço. Outro IP atribuído à secretaria aparece em três acessos ao perfil @juventudecomorleans em 11 de março. As duas contas estariam vinculadas ao mesmo e-mail, também verificado naquele momento.
Contas e pedidos ao tribunal
A coligação afirma que os perfis integram uma estrutura de contas falsas ou sem identificação clara, descrita na ação como “milícia digital”. Segundo o processo, a conta @suldomacomorleans fez 386 publicações coordenadas, o maior volume entre 291 perfis analisados pela campanha de Camarão.
Entre junho de 2025 e agosto deste ano, a campanha petista contabilizou mais de 46,3 mil publicações relacionadas ao grupo. Do total de contas, 112 traziam referência a Orleans no nome de usuário, e quase 22,8 mil postagens teriam sido feitas de forma colaborativa entre os perfis.
Para a coligação, esse conjunto de características contraria a hipótese de apoio espontâneo e indica uma estrutura paralela cujos custos não teriam sido informados à Justiça Eleitoral.
A representação pede que o TRE-MA determine à Meta a preservação de conteúdos do perfil oficial de Orleans e de 133 contas que mencionam o candidato no nome de usuário. O pedido também inclui páginas de veículos de comunicação, portais e blogs, 38 influenciadores digitais, 32 perfis apresentados como prestadores de serviços de divulgação e contas pessoais de agentes públicos citados no processo.
A campanha solicita ainda a suspensão das 133 contas classificadas como parte do núcleo da estrutura. Como alternativa, pede a retirada das publicações. Também requer, com base no Marco Civil da Internet e na Lei de Inelegibilidade, a quebra do sigilo telemático das contas reunidas sob o nome “Rede Orleans”.
Posição do governo
Em nota, o governo do Maranhão informou que a Procuradoria-Geral do Estado ainda não recebeu notificação ou citação oficial sobre a ação. A administração estadual afirmou que analisará o processo e apresentará as manifestações jurídicas cabíveis dentro dos prazos legais quando for comunicada.
O caso ocorre depois de uma decisão da Justiça Eleitoral no estado que, em julho, determinou a remoção de publicações de perfis com nomes no padrão “[município/tema] com Orleans”. As postagens pediam votos com expressões como “futuro governador”, “rumo à vitória” e “vamos à luta eleger nosso governador”, embora a propaganda eleitoral ainda não tivesse sido liberada.








