A decisão do vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou a remoção imediata de publicações sobre a narrativa que associava Flávio Bolsonaro à retirada de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. As ordens foram dirigidas às plataformas Meta, X, TikTok e YouTube na noite de sexta-feira.
Mendonça considerou inverídica a alegação de que Flávio Nantes Bolsonaro ou sua família teriam proposto, articulado ou apoiado essa medida, ou que estariam comprometidos com sua adoção.
O episódio alcançou 180.857 comentários em 20 horas, conforme levantamento da Vox Radar. As manifestações vieram de 139.677 perfis e somaram 902 mil curtidas. Os primeiros registros surgiram na noite de quinta-feira (24), e o maior volume ocorreu às 14h de sexta-feira (25), com 33.643 comentários em uma hora.
Como a narrativa foi associada ao projeto
A origem apontada para o boato foi o projeto legislativo 2.623/2007, apresentado pelo então deputado e pastor da Assembleia de Deus Victorio Galli. A proposta previa trocar a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos”. O projeto foi arquivado em 2008.
Galli foi assessor especial da Presidência no governo Jair Bolsonaro em 2019. O projeto apareceu nas discussões digitais, mas foi citado em apenas 4.401 comentários, segundo a Vox Radar.
Flávio Bolsonaro negou duas vezes ter apoiado a proposta. Em declaração a jornalistas, afirmou: “É mentira que apoiei projeto para retirar Aparecida como padroeira do Brasil.” Ele também disse respeitar todas as religiões e que não cabe ao Estado interferir na Igreja Católica.
Divisão entre os grupos políticos
A análise da Vox Radar identificou duas linhas principais na conversa: a acusação de que se tratava de uma “fake news do PT” e o debate sobre fé e voto católico. Esses temas registraram, respectivamente, 46.827 e 47.104 comentários, com pouca sobreposição entre os grupos.
Do total de manifestações relacionadas ao tema, 36% negavam ou não acreditavam no boato. Outros 26% demonstravam acreditar na narrativa e repetiam as menções. Entre os usuários identificados como católicos, 47% acreditavam no boato e 14% o desmentiam.
Entre os comentários associados à direita, 72% rejeitavam a narrativa, enquanto praticamente ninguém a apoiava, com 354 comentários nesse sentido. Na esquerda, 65% acreditavam no boato e 136 o desmentiam. O grupo sem identificação política reuniu 44.712 comentários: 32% acreditavam, 9% negavam e 33% não tomavam posição.
A empresa afirmou que os usuários que desmentiam a informação escreveram 1,4 vezes mais comentários. Já os que acreditavam no boato concentraram 2,2 vezes mais curtidas. Na avaliação da Vox Radar, a correção divulgada e a negativa de Flávio Bolsonaro tiveram alcance menor entre o público católico e entre pessoas sem posicionamento político identificado.







