São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Saúde

Estudo associa café com e sem cafeína a mudanças no intestino e no cérebro

Pesquisa com adultos saudáveis relacionou a bebida a alterações na microbiota e a efeitos sobre humor, memória, sono e cognição.

Estudo associa café com e sem cafeína a mudanças no intestino e no cérebro
Foto: Rudra Dev/Pexels

Uma pesquisa publicada em abril na revista Nature Communications associou o consumo de café, inclusive descafeinado, a mudanças no microbioma intestinal e a efeitos sobre humor, memória, sono e cognição. O estudo avaliou 62 adultos saudáveis e comparou consumidores habituais da bebida com pessoas que não tinham esse hábito.

Os participantes que tomavam café consumiam entre três e cinco xícaras por dia. Após uma avaliação inicial, eles ficaram duas semanas sem café e sem outras fontes de cafeína. Depois, parte voltou ao café com cafeína, enquanto os demais passaram a consumir a versão descafeinada durante três semanas.

As duas versões foram associadas a melhora do humor, redução do estresse e diminuição da impulsividade após o período sem a bebida. O café com cafeína apresentou efeitos sobre atenção e ansiedade. Já o descafeinado esteve mais relacionado à melhora da memória, do sono e da atividade física.

Alterações na microbiota

Os pesquisadores também identificaram mudanças na microbiota intestinal. Consumidores de café apresentaram níveis maiores de algumas bactérias associadas a efeitos positivos para a saúde. Durante a interrupção do consumo, também foram observadas alterações em metabólitos ligados ao funcionamento cerebral e ao metabolismo.

Para o nutrólogo Diogo Toledo, do Einstein Hospital Israelita, os resultados reforçam a conexão entre intestino e cérebro. “O que chama atenção é que o trabalho mostrou isso até com o café descafeinado, ou seja, não é só a cafeína que parece influenciar o organismo”, afirmou.

O intestino participa da produção de neurotransmissores e de substâncias inflamatórias capazes de afetar humor, memória, sono e cognição. Essa comunicação ocorre por meio do sistema nervoso, do sistema imunológico e das bactérias intestinais.

O estudo, porém, teve limitações: foi pequeno e utilizou apenas café instantâneo. Como o método de preparo altera a quantidade de cafeína, polifenóis e outros compostos, não é possível afirmar que todos os tipos de café produzam os mesmos efeitos sobre a microbiota e a saúde cerebral.

Diretrizes internacionais consideram seguro o consumo de até 400 mg de cafeína por dia, equivalente a cerca de três a quatro xícaras, dependendo do preparo. Não há uma quantidade ideal universal, já que fatores genéticos e a velocidade de metabolização influenciam a tolerância à bebida.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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