Cientistas organizaram um catálogo visual para identificar tamanduás-bandeira a partir de padrões da pelagem. O material reúne variações nas listras dorsais, nas manchas dos cotovelos e no chamado “bracelete” das patas dianteiras, características que podem funcionar como uma impressão digital dos animais.
Publicado na revista científica Mammal Research, o estudo analisou 553 registros feitos por armadilhas fotográficas no Pantanal e no Cerrado. Desse conjunto, 36 imagens foram selecionadas por atenderem aos critérios de qualidade definidos pelos pesquisadores e passaram a compor a referência visual.
As diferenças observadas incluem tamanho, formato e contraste das marcas presentes nos pelos. De acordo com os autores, a identificação é mais segura quando várias características são avaliadas em conjunto. “Uma única marca pode ser semelhante entre dois animais, mas a combinação de diferentes padrões fornece muito mais informação para diferenciá-los”, explica Alessandra Bertassoni, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), uma das autoras.
A possibilidade de reconhecer tamanduás-bandeira individualmente pela pelagem já havia sido indicada por estudos anteriores. A novidade do trabalho está em organizar essas variações de forma padronizada e replicável.
Aplicações do catálogo
A referência visual pode apoiar pesquisas sobre o tamanho e a dinâmica das populações, os deslocamentos e o uso do espaço pelos animais. Também pode servir de base para sistemas automatizados de reconhecimento individual que utilizem tecnologias como a inteligência artificial.
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é classificado no país como Vulnerável ao risco de extinção. Nesse contexto, o monitoramento individual permite gerar dados para pesquisas e ações de conservação.








