São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Brasil

Queiroz abraça Flávio Bolsonaro em ato em Copacabana e traz rachadinhas de volta ao debate

Ex-assessor de Flávio, Fabrício Queiroz apareceu ao lado do senador no lançamento da campanha presidencial, em 16 de agosto.

Queiroz abraça Flávio Bolsonaro em ato flopado em Copacabana e ressuscita escândalo das rachadinhas
Foto: Redes Sociais

O lançamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), realizado em 16 de agosto na praia de Copacabana, teve a presença de um personagem que parecia ter sido deixado no arquivo das antigas dores de cabeça da família: Fabrício Queiroz. Ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Queiroz surgiu abraçado ao senador durante o ato e fez questão de publicar o reencontro nas redes sociais.

A legenda escolhida para a fotografia foi curta e enigmática apenas para quem não acompanhou a política brasileira nos últimos anos: “22 BR”. Para os demais, a imagem não precisava de grandes explicações. Tratava-se do retorno de um dos nomes mais ligados ao antigo escândalo das chamadas “rachadinhas” no gabinete de Flávio.

Queiroz, que hoje ocupa o cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública de Saquarema (RJ), vinha indicando que pretendia participar da campanha do ex-chefe. Em Copacabana, decidiu não só comparecer, mas também posar para a foto. Se uma campanha presidencial que fala em mudança pode começar apresentando uma proposta de renovação, também pode, ao que parece, começar com o reencontro de velhos conhecidos.

Um novo abraço para um problema antigo

A fotografia rapidamente recolocou Queiroz no centro do debate político. O ex-assessor foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como personagem central do esquema investigado no antigo gabinete de Flávio na Alerj.

Em 2020, o MP-RJ denunciou Flávio e Queiroz por crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. De acordo com a acusação, caberia a Queiroz recolher parte dos salários dos servidores do gabinete.

O caso, porém, não chegou a ter uma avaliação definitiva sobre o mérito das acusações. Decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) invalidaram provas consideradas essenciais para a apuração, e o processo terminou arquivado. Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz sempre negaram a existência de irregularidades.

Desse modo, anos depois, foi suficiente um abraço em Copacabana para que a história voltasse ao noticiário — sem operação policial, entrevista coletiva ou nova investigação. A fotografia cumpriu esse papel.

Sensação de déjà vu

O ato que marcou o começo da campanha de Flávio também esteve distante de repetir a dimensão das manifestações que Jair Bolsonaro havia protagonizado anteriormente na orla de Copacabana. A mobilização foi classificada por veículos de imprensa e adversários como flopada ou inferior às expectativas.

Flávio criticou a política de segurança pública do governo federal, defendeu o pai, que está em prisão domiciliar, e prometeu reduzir os gastos públicos.

Enquanto o candidato falava sobre os próximos passos do país, porém, a fotografia ao lado de Queiroz remetia a outro tema: o passado.

Era como se a campanha tivesse optado por apresentar, já na estreia, um conjunto completo de nostalgia política. Bandeiras, discursos, defesa de Jair Bolsonaro e, para fechar a cena, uma figura conhecida precisamente por um dos episódios mais desconfortáveis da trajetória política de Flávio.

Queiroz ganhou projeção nacional depois que foram reveladas movimentações financeiras consideradas atípicas em sua conta pelo então Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O episódio avançou para a investigação sobre a possível existência de um esquema de desvio de salários de funcionários do gabinete de Flávio na Alerj.

A partir daí, seu nome se transformou em uma espécie de palavra-chave involuntária sempre que o assunto era o passado político do senador.

Agora, ao voltar a aparecer abraçado ao antigo chefe justamente no lançamento da candidatura presidencial, Queiroz contribuiu para criar uma cena difícil de passar despercebida.

Em vez de manter o passado afastado, a campanha o levou para a areia de Copacabana — literalmente ao lado do candidato.

O abraço, ao menos, deixou uma conclusão: para quem esperava uma campanha totalmente voltada ao futuro, o primeiro ato veio acompanhado de muitas lembranças.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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