São José dos Campos, Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Ciência

IceCube leva Nobel de Física de 2026 por revelar neutrinos cósmicos

Francis Halzen idealizou detector instalado no gelo antártico, capaz de identificar neutrinos de alta energia vindos de galáxias distantes.

IceCube leva Nobel de Física de 2026 por revelar neutrinos cósmicos
Foto: Gustavo Rodrigues/Superinteressante

O físico belga Francis Halzen recebeu o Nobel de Física de 2026 pela idealização do IceCube, um observatório instalado no gelo antártico para detectar neutrinos. O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (6), em Estocolmo.

Neutrinos são partículas fundamentais, como os elétrons, mas quase não interagem com a matéria. Eles não têm carga elétrica e praticamente não possuem massa. Por atravessarem o universo em linha reta, sem perder muita energia ou alterar significativamente a direção, podem indicar a origem de fenômenos cósmicos distantes.

Cerca de 100 trilhões de neutrinos passam pelo corpo humano a cada segundo. A maioria não é detectada. Em ocasiões raras, porém, um neutrino colide com o núcleo de um átomo presente em uma molécula de água ou no gelo. A interação produz outras partículas e um clarão azulado, chamado radiação Cherenkov. A direção desse sinal permite estimar a trajetória do neutrino e investigar o objeto que o emitiu.

Como funciona o IceCube

Halzen identificou, em 1988, o potencial do gelo transparente e estável do Polo Sul para esse tipo de observação. O detector entrou em operação em 2010, com sensores instalados a cerca de 2,5 km de profundidade. O gelo reduz interferências e permite registrar os sinais produzidos pelas colisões.

A construção envolveu perfuração profunda, sensores de alta sensibilidade e sistemas de computação de alto rendimento. Farinaldo Queiroz, do Instituto Internacional de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, afirmou que os conhecimentos desenvolvidos também podem ser aplicados à pesquisa, ao comércio, à computação e à engenharia.

“Outro exemplo de aplicação é na engenharia de perfuração e logística criogênica”, disse Queiroz. Segundo ele, as técnicas usadas no IceCube também são aproveitadas por glaciologistas, microbiologistas e climatologistas na extração de testemunhos de gelo para estudos sobre mudanças climáticas e vida em ambientes extremos.

Ulisses Barres de Almeida, astrofísico e pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, afirmou que o experimento tem impacto principalmente científico, mas seus componentes instrumentais servem de base para outros projetos.

A comissão do Nobel descreveu o trabalho como fundamental para detectar os primeiros neutrinos de alta energia originados em galáxias distantes. Aos 82 anos, Halzen recebeu o prêmio sozinho e destacou a importância das equipes envolvidas no experimento. Para Almeida, a premiação reconhece a expansão da chamada Astrofísica com Multimensageiros, que combina diferentes sinais para observar o universo. A descoberta das ondas gravitacionais havia sido reconhecida com o Nobel de Física de 2017.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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