A idade de milhares de esturjões-de-lago foi estimada a partir do crescimento registrado após capturas sucessivas, em vez da contagem de anéis. O método levou os autores de um estudo publicado no Journal of Fish Biology a calcular que um macho da espécie (Acipenser fulvescens) pode ter chegado a 435 anos. Uma fêmea foi estimada em 292 anos.
Os animais foram acompanhados em cinco cursos d’água da região dos Grandes Lagos: Black Lake, Sturgeon River, Menominee River, St. Clair River e Lake Winnebago. A pesquisa reuniu dados coletados entre 1980 e 2024, período em que os peixes foram capturados, identificados, medidos, etiquetados logo abaixo da pele e devolvidos à água.
Quando um esturjão já marcado era encontrado novamente, os pesquisadores repetiam a medição antes de soltá-lo. Esses registros de captura, marcação e recaptura permitiram comparar o tamanho do mesmo peixe em momentos diferentes. A diferença entre o comprimento mais recente e o inicial foi dividida pelo intervalo de anos entre as capturas. Com as taxas médias anuais de crescimento, os autores estimaram a idade total dos animais.
Por que a idade é difícil de calcular
O procedimento mais usado para estimar a idade de peixes é a contagem de anéis escuros nas escamas. Como o esturjão-de-lago não tem escamas, os biólogos analisam os espinhos das nadadeiras peitorais. O método, porém, perde precisão quando aplicado a uma espécie de crescimento lento e vida longa: os anéis ficam muito próximos, podem ser indistinguíveis ou deixar de se formar.
Antes do estudo, os pesquisadores consideravam que a expectativa média de vida do esturjão-de-lago ficava entre 50 e 100 anos. A nova análise estimou idade mediana de 87 a 215 anos para os machos e de 90 a 248 anos para as fêmeas.
Edward Baker, um dos autores, afirmou que animais ainda mais velhos podem ser encontrados. “As estimativas de idade para os maiores peixes que capturamos de cada população não representam necessariamente a idade máxima que esses peixes poderiam atingir”, disse. Segundo ele, machos e fêmeas maiores e mais velhos podem existir, e os dois sexos podem alcançar idades máximas semelhantes.
Longevidade e limites da conclusão
Se os cálculos forem confirmados, o esturjão-de-lago terá a maior expectativa de vida entre os peixes de água doce. Outras espécies de esturjão, contudo, também podem viver por períodos semelhantes. Entre os vertebrados, os tubarões-da-groenlândia (Somniosus microcephalus) continuam associados à maior longevidade, com até 500 anos em casos extremos.
O esturjão-de-lago é nativo da América do Norte e existe desde a época dos dinossauros, há mais de 200 milhões de anos. A espécie é encontrada principalmente na bacia dos Grandes Lagos, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá. Os peixes medem de 1,2 m a 1,8 m e pesam entre 13,6 kg e 36,3 kg.
Uma hipótese levantada pelos autores para explicar a longevidade é o torpor. Nesse estado, a atividade metabólica e fisiológica diminui de forma drástica, o que ajuda os animais a enfrentar condições como frio extremo ou escassez de alimentos. Para os pesquisadores, esse mecanismo pode prolongar a vida dos esturjões.







