RIO DE JANEIRO — A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê R$ 700 bilhões em investimentos no setor entre 2026 e 2030, enquanto o governo prepara a oferta de novas áreas para exploração de petróleo e gás. Entre as fronteiras consideradas prioritárias estão a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas, no litoral do Rio Grande do Sul.
O diretor-geral da ANP, Artur Watt Neto, afirmou que o país precisa ampliar a oferta de blocos e repor suas reservas. Em agosto, a produção de petróleo chegou a 4,6 milhões de barris por dia, dos quais 3,8 milhões vieram do pré-sal, equivalente a 82% do total. A previsão apresentada por ele é de que a produção alcance 5 milhões de barris por dia em 2032.
“Precisamos continuar repondo reservas, e assegurar as atividades exploratórias é essencial para isso”, disse Watt Neto durante a abertura do leilão realizado pela agência, no Rio.
Bacia de Pelotas e Margem Equatorial
Renato Dutra, secretário Nacional de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, disse que o governo está concluindo uma manifestação conjunta com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para avançar na Bacia de Pelotas. A expectativa é oferecer à ANP mais de 50 blocos nos próximos meses.
A declaração ocorreu após a Petrobras anunciar uma nova descoberta no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A empresa já havia comunicado outra descoberta no mesmo poço, em agosto. A ocorrência mais recente foi localizada em uma profundidade maior, durante a continuidade da perfuração. As análises ainda estão em andamento.
Dutra também defendeu a exploração em terra de recursos não convencionais, usando o fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. A técnica não é proibida por lei federal, mas é vetada em Paraná e Santa Catarina. O uso no país está sob análise do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que retomará o julgamento em 14 de outubro de 2026.
O processo começou com uma ação civil pública do Ministério Público Federal (MPF) contra leilões da ANP realizados em 2013. O fracking utiliza água, areia e produtos químicos sob alta pressão para romper rochas e liberar gás ou óleo. Críticos apontam riscos de contaminação de aquíferos e de poluição do solo e do ar.
“Temos que operar com novas fronteiras”, afirmou Dutra ao defender a ampliação da produção e o peso do petróleo nas exportações brasileiras.








