BRASÍLIA — O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu que o TCU investigue possíveis irregularidades na distribuição e na comercialização de títulos emitidos pelo Banco Master. A representação também solicita a apuração de eventuais falhas de fiscalização e supervisão por parte de agentes públicos federais.
O subprocurador-geral do MPTCU, Lucas Furtado, afirma que as informações sobre a continuidade da oferta dos papéis mesmo diante de sinais de deterioração financeira do banco não comprovam, por si só, a ocorrência de ilícitos. Na avaliação dele, porém, são suficientes para justificar a abertura de um procedimento de investigação.
O pedido busca verificar se os títulos foram oferecidos em condições compatíveis com a situação econômico-financeira do Master e se os investidores receberam informações adequadas sobre os riscos. Também solicita a análise de possíveis pagamentos extraordinários a distribuidores e intermediários.
Entre os pontos a serem examinados estão eventuais comissões, bonificações, incentivos e outras vantagens econômicas usadas para estimular a venda dos papéis. O MPTCU quer saber ainda se esses pagamentos seguiram as práticas de mercado e foram informados aos investidores.
A representação inclui a atuação dos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro. Furtado pede que sejam apuradas possíveis omissões ou falhas de agentes encarregados de fiscalizar instituições e o mercado, inclusive na análise de medidas adotadas diante de informações sobre a situação do banco.
Cooperação entre órgãos
Para o subprocurador-geral, a complexidade do caso recomenda o compartilhamento de informações e a coordenação das investigações entre o TCU, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A articulação poderia ocorrer por meio de uma força-tarefa ou de um instrumento formal de cooperação técnica.
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, foi liquidado em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, tinha cerca de R$ 58 bilhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos no mercado.
Durante as investigações sobre o banco, a Polícia Federal identificou ainda a venda, ao BRB, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas de uma empresa chamada Tirreno.







