O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) reduziu de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões a previsão de superávit da balança comercial brasileira em 2026. A revisão foi atribuída principalmente à queda nas projeções para o preço do petróleo.
Mesmo menor que a estimativa anterior, o saldo esperado representa crescimento de 24% sobre o resultado de 2025. Se confirmado, será o segundo maior da série histórica, atrás apenas do registrado em 2023, de US$ 98,9 bilhões.
A nova previsão inclui exportações de US$ 382,5 bilhões e importações de US$ 298,1 bilhões. Antes, o MDIC estimava US$ 394,4 bilhões em vendas externas e US$ 304,4 bilhões em compras. Assim, a projeção para as exportações caiu US$ 11,9 bilhões, e a das importações recuou US$ 6,3 bilhões.
O petróleo influencia os dois lados da balança porque o Brasil exporta o produto bruto e importa derivados. O barril chegou a US$ 138 em abril, depois da entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, mas perdeu valor posteriormente. Nas últimas semanas, houve recuperação das cotações, embora o Brent, referência internacional, permaneça em torno de US$ 100.
Para 2026, o governo estima alta de 9,8% nas exportações e de 6,4% nas importações em comparação com 2025. Esta é a segunda alteração feita pelo MDIC no ano: a projeção começou em US$ 72,1 bilhões e subiu para US$ 90 bilhões em julho.
Resultado até setembro
Para atingir o novo saldo anual, o país precisará registrar superávit aproximado de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro. O montante é próximo ao resultado do último trimestre de 2025, que ficou em US$ 21,8 bilhões.
Em setembro, a balança comercial teve saldo positivo de US$ 7,74 bilhões, alta de 146,4% sobre os US$ 3,14 bilhões do mesmo mês de 2025. Foi o maior resultado mensal desde junho, quando o superávit chegou a US$ 9 bilhões.
As exportações de setembro somaram US$ 34,42 bilhões, avanço de 12,9% na comparação anual. As importações totalizaram US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4%. Os preços dos produtos exportados subiram, em média, 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%. Pela média diária, as vendas externas avançaram 18,3%.
As exportações de petróleo bruto alcançaram US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% sobre setembro do ano anterior. Para Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a projeção está próxima do desempenho observado até setembro. “Estamos prevendo três meses à frente”, afirmou.








