A participação dos títulos públicos vinculados à taxa Selic atingiu 52,74% da Dívida Pública Federal (DPF) em agosto, o maior nível da série histórica, informou o Tesouro Nacional. Em julho, esses papéis representavam 51,11% do estoque.
A DPF encerrou agosto em R$ 9,293 trilhões, alta de 0,04% em relação aos R$ 9,289 trilhões registrados no mês anterior. O resultado ocorreu apesar de o Tesouro ter resgatado R$ 84,43 bilhões em títulos a mais do que emitiu. A incorporação de R$ 88,39 bilhões em juros compensou o efeito dos resgates.
A previsão do Tesouro Nacional é que a dívida termine 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Composição e prazo
A parcela interna da dívida recuou 0,05% em agosto e fechou o mês em R$ 8,944 trilhões. Já a dívida externa avançou 2,41%, para R$ 348,26 bilhões. Desse total, R$ 299,70 bilhões correspondiam à dívida mobiliária e R$ 48,56 bilhões, à dívida contratual, que inclui financiamentos estrangeiros.
Além dos títulos atrelados à Selic, a composição da dívida tinha 23,22% em papéis indexados à inflação, 20,31% em títulos prefixados e 3,74% em títulos cambiais. O Plano Anual de Financiamento de 2026 prevê participação entre 49% e 53% para os títulos vinculados à Taxa Selic.
O prazo médio da dívida passou de 4,05 anos para 4,10 anos. A parcela com vencimento em até 12 meses caiu de 18,91% para 16,39%. No mesmo período, o custo médio acumulado em 12 meses subiu de 12,45% ao ano para 12,59% ao ano.
Reserva e investidores
A reserva de liquidez do Tesouro Nacional, usada exclusivamente para o pagamento da dívida e formada também por recursos em caixa de emissões, caiu 11,89% em termos nominais. O volume passou de R$ 1,37 trilhão em julho para R$ 1,208 trilhão em agosto.
Segundo o Tesouro, o montante ainda cobre aproximadamente 7,18 meses dos vencimentos da dívida.
A participação de investidores estrangeiros na dívida interna subiu de 9,82% para 9,91%. Em valores nominais, o estoque de títulos em poder de não residentes passou de R$ 879,07 bilhões para R$ 886,3 bilhões.
As instituições financeiras detinham 31,22% do estoque. Fundos de investimento respondiam por 22,52%, previdência por 22,63% e seguradoras por 3,34%.
O Tesouro informou que a composição da dívida reflete um ambiente de juros elevados e incertezas. A expectativa do órgão é reduzir gradualmente a participação dos títulos de taxa flutuante caso o país volte a registrar superávits primários de forma estrutural.








