O Ministério Público Eleitoral em Alagoas instaurou um procedimento investigativo para apurar possível coação eleitoral atribuída ao influenciador digital Rico Melquíades. O caso será encaminhado à Polícia Federal para investigação criminal.
O procedimento foi aberto após a identificação de um vídeo publicado nas redes sociais no último sábado 12. Nas imagens, o influenciador aparece ao lado de quatro mulheres e pergunta quem paga os salários delas e quais são suas preferências político-partidárias.
Em seguida, ao associar uma das trabalhadoras ao PT, ele afirma repetidamente que ela estaria demitida, manda que recolha seus pertences e volta a mencionar o pagamento da remuneração.
Apuração criminal e atuação eleitoral
A Polícia Federal deverá verificar a possível prática do crime de uso de violência ou grave ameaça para obrigar alguém a votar ou deixar de votar em determinado candidato ou partido. O Ministério Público Eleitoral também informou que acionará a Justiça Eleitoral.
O procurador regional eleitoral em Alagoas, Marcial Duarte Coêlho, classificou o episódio como uma violação da liberdade de escolha do eleitor. Segundo ele, a condição de empregador, o poder econômico e a dependência financeira do trabalhador não podem ser usados para pressionar ou interferir nas escolhas políticas.
O procurador também afirmou que uma eventual alegação de brincadeira não afastaria a ilicitude do ato. Para ele, a ameaça de perda do emprego em uma relação de poder caracteriza constrangimento.
O Ministério Público Eleitoral ressaltou que o voto é livre e secreto e que nenhum funcionário é obrigado a revelar suas preferências políticas ao empregador. O órgão acrescentou que o empregador não dispõe de meios para saber quais escolhas foram feitas na cabine de votação.








