MINSK — A organização independente de direitos humanos Viasna afirma que 912 pessoas continuam presas na Bielorrússia por apoiar os protestos de 2020 contra a reeleição do presidente Aleksandr Lukashenko. O número permanece após a libertação de 25 presos políticos negociada com os Estados Unidos.
O acordo foi mediado pelo enviado americano John Coale. Em troca da soltura, Washington retirou sanções que atingiam a fabricante de tintas Lakokraska e o grupo do setor florestal Bellesbumprom. Coale classificou a libertação como “um sinal de boa vontade” e afirmou que novas conversas podem levar à saída de mais pessoas e a uma redução adicional das sanções.
A decisão foi anunciada por Coale nas redes sociais, onde ele também agradeceu a Donald Trump pelo seu “compromisso com uma diplomacia direta”. O diálogo entre Washington e Minsk havia sido retomado no ano passado, durante a administração Trump, como parte dos esforços para negociar um acordo que encerre a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Oposição cobra libertação dos demais
Sviatlana Tsikhanouskaya, líder da oposição bielorrussa no exílio, comemorou a libertação em uma publicação na plataforma X. Ela alertou, porém, que Lukashenko não pretende soltar todos os presos políticos.
Centenas de pessoas foram encarceradas depois dos protestos em massa de 2020, desencadeados pela reeleição de Lukashenko, que está no poder desde 1994. Entre os presos estão jornalistas, sindicalistas e outras pessoas que apoiaram as manifestações.
Os Estados Unidos e outros países ocidentais impuseram sanções à Bielorrússia depois de o país permitir que a Rússia usasse seu território para invadir a Ucrânia em 2022. Organizações de direitos humanos e ativistas afirmam que, apesar da libertação de alguns detidos, o regime continua prendendo pessoas. Na semana passada, um advogado que representava o opositor Viktor Babaryko foi condenado a três anos de prisão.







