São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Incêndios e calor ampliam riscos da poluição do ar, alerta ONU

Relatórios da ONU associam o agravamento climático ao aumento da poluição por fumaça e defendem ações conjuntas para reduzir mortes e prejuízos.

Incêndios e calor ampliam riscos da poluição do ar, alerta ONU

Incêndios florestais mais intensos e ondas de calor estão ampliando a poluição do ar e seus impactos sobre a saúde humana, os ecossistemas e a economia. O alerta consta de relatórios da Organização Meteorológica Mundial (OMM), do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) e da Coligação para o Clima e o Ar Limpo (CCAC).

A OMM informou, em 7 de setembro, que o aquecimento global favorece eventos capazes de liberar partículas microscópicas na atmosfera. Entre elas está o material particulado PM2,5, formado por partículas e gotículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro. Por serem pequenas, elas podem alcançar regiões profundas dos pulmões e a corrente sanguínea.

A exposição a esse poluente associado a incêndios aumentou na Europa e na América do Norte, apesar da redução das emissões industriais e dos transportes nessas regiões. A OMM também defende uma ampliação do monitoramento de aerossóis, carbono negro, microplásticos, partículas finas e ozônio próximo ao solo.

Fumaça de incêndios e risco à saúde

Lorenzo Labrador, da rede Global Atmosphere Watch, da OMM, afirmou que a qualidade do ar e as mudanças climáticas precisam ser enfrentadas em conjunto. Segundo ele, áreas atingidas por incêndios de grande intensidade registram níveis elevados de partículas finas, e a fumaça pode ser levada pelo vento para locais distantes do fogo.

A agência afirma que as partículas produzidas pela queima da vegetação podem ser mais tóxicas do que as emitidas por outras fontes, como os escapamentos de automóveis. De acordo com a OMM, modelos de risco que consideram apenas a concentração total de PM2,5 podem subestimar em até 93% as mortes atribuídas a incêndios florestais.

Um estudo citado no boletim da organização estima que episódios extremos de fumaça de incêndios triplicaram globalmente desde a década de 1990. Entre 2010 e 2018, eles contribuíram para quase 100 mil mortes adicionais por ano, embora a própria estimativa possa estar abaixo do número real.

O ozônio ao nível do solo também preocupa. Ele se acumula quando há temperaturas elevadas, pouca circulação atmosférica e forte radiação solar, condições observadas em ondas de calor na China, na Europa e no sudeste dos Estados Unidos. A OMM alertou que a exposição pode provocar dezenas de milhares de mortes prematuras adicionais, principalmente por doenças respiratórias.

Aerossóis e retorno econômico

O carbono negro, conhecido como fuligem, pode se depositar sobre neve e gelo, reduzir a reflexão da luz solar e acelerar o derretimento dessas superfícies. Os microplásticos, por sua vez, resultam da degradação de materiais plásticos e já estão presentes no ar, no solo e nos oceanos.

Uma simulação do boletim estima a existência de 51 milhões de toneladas de microplásticos em terra e 22 milhões de toneladas no oceano. O relatório considera essencial acompanhar o transporte atmosférico dessas partículas, especialmente diante do aumento da produção de plástico e da gestão inadequada de resíduos.

Um relatório divulgado em 7 de setembro pelo PNUA e pela CCAC calculou que cada 1 dólar investido em medidas para o clima e o ar limpo pode gerar retorno de 15 dólares. O cálculo inclui ganhos para os sistemas de saúde, aumento da produtividade e danos climáticos evitados.

O documento reúne 25 medidas voltadas a seis setores: energia e combustíveis fósseis, indústria, transportes, agricultura e sistemas alimentares, cozinha e aquecimento residenciais e gestão de resíduos. Segundo o relatório, ações como ampliar energias renováveis, melhorar a eficiência energética, adotar veículos elétricos e reduzir gradualmente os HFC poderiam cortar pela metade as emissões globais de dióxido de carbono até 2050 e evitar 144 milhões de mortes prematuras relacionadas à poluição do ar.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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