São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Cubanos deportados pelos EUA ficam sem status regular no México

Mais de 25 mil migrantes foram enviados a outros países entre janeiro de 2025 e agosto de 2026; cerca de 20 mil chegaram ao México.

Cubanos deportados pelos EUA ficam sem status regular no México

Uma investigação do projeto The Deportation Project identificou que mais de 25 mil migrantes foram deportados dos Estados Unidos para outros países entre janeiro de 2025 e agosto de 2026. Cerca de 20 mil foram enviados ao México, principal destino dessas transferências realizadas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Os cubanos são o maior grupo entre os deportados e, em muitos casos, permanecem sem definição jurídica ou apoio humanitário. Aproximadamente 4.300 cubanos foram expulsos desde 2025. Cuba se recusa a receber de volta parte desses cidadãos, deixando-os sem uma rota definida após a deportação.

Sem documentos e sem alternativa legal

José Alejandro Aponte Delgado, de 66 anos, viveu 31 anos nos Estados Unidos. Ele foi detido pelo Serviço de Imigração e Alfândega, conhecido pela sigla ICE, por causa de uma condenação relacionada a drogas ocorrida três décadas atrás. Depois de uma viagem de ônibus de 30 horas, foi deixado em Villahermosa, no estado mexicano de Tabasco, sem dinheiro nem contatos.

“Levaram tudo”, disse Aponte Delgado. Ele afirmou que deixou de receber a aposentadoria americana e perdeu a carteira de motorista e o cartão do Seguro Social, usado como documento de identidade.

A transferência de estrangeiros para o México ocorre por meio de uma cooperação informal entre os governos dos Estados Unidos e do México. Não há um acordo oficial que regulamente o procedimento. Em Villahermosa, pessoas deportadas relataram falta de abrigo; algumas dormem nas ruas.

Salvador Guerrero, coordenador da Clínica Jurídica Alaide Foppa, que oferece assistência gratuita a refugiados na Cidade do México, afirmou que as deportações ocorrem sem transparência e que quase não existem dados sobre os deportados que não são mexicanos.

Segundo Guerrero, o México não tem uma política de acolhimento nem uma base legal que permita a permanência regular desses migrantes. Pela legislação voltada a quem entrou ilegalmente no país, eles podem ser detidos e deportados caso não apresentem justificativas para permanecer.

Relatos de abandono

Guerrero disse que os estrangeiros enviados pelos Estados Unidos não têm acesso ao mercado de trabalho, documentos mexicanos ou garantia de retorno aos países de origem. Também perderam vínculos com os Estados Unidos.

Outro cubano, identificado como Lorenzo, passou 45 anos nos Estados Unidos antes de ser enviado ao México. Ele foi preso em Miami por consumir cerveja em um espaço público e deportado por causa de uma antiga ordem de deportação. “Eu moro na rua, durmo nas calçadas”, relatou.

Lorenzo obteve recentemente o status de refugiado no México, mas continua sem recursos financeiros. O governo mexicano se recusou a comentar as deportações de estrangeiros dos Estados Unidos para o país.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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