São José dos Campos, Sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Política

Ranking fiscal coloca Zema à frente, mas nenhum plano estabiliza a dívida

Análise do Ranking dos Políticos estimou distância de até R$ 496 bilhões em relação ao equilíbrio da dívida pública.

Ranking fiscal coloca Zema à frente, mas nenhum plano estabiliza a dívida

A análise do Ranking dos Políticos estimou que nenhum dos seis planos presidenciais avaliados consegue estabilizar a dívida pública nas condições examinadas. Romeu Zema apresentou a menor distância em relação à trajetória necessária, mas o estudo ressalva que isso não significa suficiência fiscal.

O levantamento comparou 1.297 propostas de Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. As medidas foram confrontadas com um cenário-base elaborado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) em junho de 2026, além do limite de crescimento real das despesas previsto no arcabouço fiscal e da regra de ouro da Constituição.

A IFI estima que seria necessário um superávit primário equivalente a 2,1% do PIB para estabilizar a dívida bruta. Para 2026, o resultado primário projetado é de -0,4% do PIB. A diferença, de 2,5 pontos percentuais do PIB, corresponde a cerca de R$ 342 bilhões ao ano e representa o esforço fiscal necessário antes de novas promessas.

Distância estimada por candidato

Zema aparece com uma distância de R$ 392 bilhões em relação à trajetória de estabilização, equivalente a 2,9% do PIB. Augusto Cury vem em seguida, com R$ 393 bilhões (2,9% do PIB), seguido por Ronaldo Caiado, com R$ 411 bilhões (3%), Lula, com R$ 452 bilhões (3,3%), Renan Santos, com R$ 478 bilhões (3,5%), e Flávio Bolsonaro, com R$ 496 bilhões (3,6%).

A diferença entre Zema e Cury é de R$ 1 bilhão. O estudo considera os dois resultados um empate dentro da precisão do método. A média da distância entre os seis planos foi estimada em cerca de R$ 437 bilhões ao ano, ou 3,2% do PIB.

Segundo o estudo, o plano de Zema prevê a possibilidade de autofinanciamento das medidas, mas depende em grande parte de uma reforma previdenciária cujos efeitos mais expressivos ocorreriam depois do horizonte do mandato. O candidato também propõe substituir o arcabouço fiscal sem detalhar uma regra alternativa suficiente para a análise.

Cury é o único, além de explicitar compromissos em seu programa, a estabelecer uma meta fiscal própria. A previsão de déficit primário próximo de zero, porém, não seria suficiente sozinha para estabilizar a dívida. Apenas 33% das propostas do candidato puderam ser classificadas.

Caiado apresentou o plano mais explícito, segundo o levantamento, sobre impacto fiscal, fonte de financiamento e compatibilidade das medidas com a trajetória da dívida. A análise apontou, contudo, que sua regra fiscal seria menos restritiva que a atual e não indicaria concretamente quais despesas seriam cortadas.

Limites da comparação

Das 1.297 propostas identificadas, 478 (36,9%) foram classificadas. Outras 819 (63,1%) ficaram na categoria não se aplica, principalmente por falta de valores, prazos ou bases de cálculo. O Ranking dos Políticos afirma que os valores calculados devem ser interpretados como limites inferiores dos impactos fiscais.

A análise classificou 29% das propostas de Lula, 52% das de Renan Santos e 32% das de Flávio Bolsonaro. Por isso, o estudo afirma que as posições no ranking não representam uma avaliação completa dos programas.

Em uma simulação que atribuiu às propostas não mensuradas a mesma densidade fiscal das medidas classificadas, a distância estimada subiu para 3,5% do PIB no caso de Zema e chegou a 6% no de Flávio Bolsonaro.

Para Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, o estudo mostra que a discussão eleitoral precisa considerar o custo das escolhas. Daniel Galvêas, especialista em Políticas Públicas do grupo e responsável pela análise, afirmou que a primeira colocação de Zema indica apenas a menor distância entre os planos comparados, e não um programa plenamente viável.

Regras para despesas

Lula e Cury declaram intenção de manter o arcabouço fiscal. Renan Santos, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema propõem substituí-lo, mas não apresentam parâmetros suficientes para definir as novas regras. O plano de Caiado é o único que traz uma regra substituta explícita, considerada mais frouxa que a vigente.

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 projeta despesas obrigatórias crescendo 6,0% em termos nominais, contra 7,4% do PIB nominal. Conforme a análise, a regra proposta por Caiado seria cumprida nessa projeção oficial sem nenhuma medida nova.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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