São José dos Campos, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Planos de seis presidenciáveis priorizam combate à violência contra mulheres

Propostas incluem medidas de proteção, saúde, autonomia econômica, cuidado e participação política; um plano não apresenta ações específicas para mulheres.

Planos de seis presidenciáveis priorizam combate à violência contra mulheres

As mulheres representam 52,4% do eleitorado brasileiro, o equivalente a 81,8 milhões de eleitoras, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nos planos de governo dos seis presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto, o combate à violência de gênero aparece como prioridade comum. As propostas também tratam de saúde, trabalho, cuidado, autonomia econômica e participação política.

Os documentos foram analisados a partir das medidas apresentadas pelos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).

Lula propõe ações integradas

O plano de Luiz Inácio Lula da Silva coloca o enfrentamento à violência contra as mulheres como prioridade e usa como referência o Pacto Nacional contra o Feminicídio, lançado em fevereiro de 2026 pelo Executivo, pelo Legislativo e pelo Judiciário.

Entre as propostas estão a manutenção de ações para promover o trabalho feminino com base na Lei da Igualdade Salarial, aprovada em 2023; a criação de cuidotecas para crianças entre 3 e 12 anos; a expansão de creches; a conclusão de 30 Casas de Mulher Brasileira; e a ampliação das salas lilás. O documento também prevê fortalecer o planejamento reprodutivo e o acesso a contraceptivos modernos no SUS, com ênfase no Implanon, além de criar linhas de crédito, ações de empreendedorismo e qualificação para mulheres.

O plano faz referências a direitos reprodutivos, dignidade menstrual, desigualdade salarial, cuidado e proteção social. Também sugere marcadores transversais no Orçamento e no Plano Plurianual de 2024 a 2027. Para Carol Althaller, diretora executiva do Instituto Update, a principal lacuna está na participação feminina nos espaços de decisão política.

Proteção e tecnologia nos demais planos

Flávio Bolsonaro apresenta um capítulo chamado “Brasil por elas”. Entre as propostas estão as Centrais da Mulher, que reuniriam atendimento de saúde preventiva, apoio psicológico e jurídico, orientação financeira e cadastro para emprego e crédito; a criação da ClarIA, assistente virtual de inteligência artificial; e a integração do Ligue 180, das delegacias online e de botões de emergência em uma plataforma com avaliação de risco.

O candidato também propõe ampliar creches públicas em tempo integral, oferecer voucher-creche quando não houver vaga na rede pública e criar a Escola Brasil por Elas, com cursos gratuitos de inteligência artificial, programação, marketing digital e finanças.

Augusto Cury propõe botões de alerta com geolocalização para casos de violência, medidas de qualificação e crédito para promover autonomia econômica, mecanismos de transparência salarial e prioridade para mulheres nas indicações ao Supremo Tribunal Federal. O plano também prevê campanhas contra a “tirania da beleza” e ações educativas nas escolas.

Para Althaller, as propostas de Cury tratam de violência, autonomia econômica e saúde emocional, mas ainda precisam detalhar sua implementação. Larissa Peixoto Vale Gomes, doutora em ciência política e pesquisadora na Universidade de Edimburgo, questiona a viabilidade de parte das medidas.

Participação política e saúde

Ronaldo Caiado organiza suas propostas em quatro eixos: viver sem violência, cuidar da saúde, trabalhar e empreender e participar das decisões do poder. O plano prevê renda temporária e auxílio-aluguel para vítimas sob medida protetiva, bolsas e formação em tecnologia, ciência, agronegócio e indústria, além de medidas contra a violência política de gênero.

Também estão previstas ações de saúde ao longo da vida, incluindo pré-natal, parto, puerpério, saúde mental, prevenção de cânceres, endometriose, climatério e menopausa. O documento propõe aplicar a Lei da Igualdade Salarial e criar um selo para organizações que promovam equidade e contratem mulheres, especialmente mulheres periféricas, mães atípicas e com mais de 50 anos.

Romeu Zema concentra as medidas em violência doméstica, saúde materna e cuidado. O plano propõe delegacias da mulher com funcionamento 24 horas, expansão da Patrulha Maria da Penha e de casas de abrigo, ampliação de creches e pré-escolas para famílias vulneráveis e acompanhamento pré-natal universal. Althaller avaliou que o documento é menos abrangente em trabalho, autonomia econômica, igualdade salarial e presença feminina em espaços de poder.

Plano de Renan Santos não traz medidas específicas

O plano de Renan Santos não apresenta propostas específicas para as mulheres. A única referência ao grupo aparece no diagnóstico sobre o SUS, que menciona problemas de atendimento observados sobretudo por mulheres.

A legenda Missão foi fundada por Santos e por integrantes do Movimento Brasil Livre. O documento informa que 8% dos filiados ao partido são mulheres. Em PT, PL, MDB e PSD, a proporção de filiadas ultrapassa 40%, conforme os dados citados na análise.

As propostas examinadas mostram diferenças na forma como os candidatos abordam violência, cuidado, saúde, renda e representação política. A avaliação das especialistas também aponta dúvidas sobre orçamento, escala e capacidade de execução de parte das medidas.

Texto produzido pela Redação Fato Aberto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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