A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2019 registrou uma diferença na busca por atendimento médico: 82,3% das mulheres disseram ter consultado um médico nos 12 meses anteriores à pesquisa, contra 69,4% dos homens. Os dados são do IBGE e do Ministério da Saúde.
Para o ginecologista José Alcione Macedo Almeida, do Hospital das Clínicas, a maior familiaridade das mulheres com consultas e exames ajuda a explicar a comparação feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os cuidados de saúde de homens e mulheres.
Lula afirmou, na última terça-feira (29), que mulheres “aprenderem a tomar toque desde pequenas”. O trecho foi compartilhado fora do contexto de um discurso sobre a resistência dos homens ao exame de próstata. No dia seguinte, o presidente disse que se referia a cuidados de saúde. Para Alcione, a declaração corresponde, em essência, à prática ginecológica, mas é necessário diferenciar as avaliações feitas em cada fase da vida.
O que muda ao longo da vida
A primeira avaliação ocorre nos momentos iniciais de vida, como parte dos cuidados neonatais. Isso não significa que crianças sejam submetidas regularmente a consultas ginecológicas ou a exames invasivos.
Na adolescência, o acompanhamento pode abordar o desenvolvimento das mamas, a menstruação, a sexualidade e a saúde reprodutiva. O exame começa pela observação e é adaptado à idade e às condições de cada paciente. A palpação das mamas pode identificar alterações, como um eventual nódulo.
Quando a adolescente não teve atividade sexual, a avaliação dos órgãos genitais costuma ser externa. O exame intravaginal não é realizado sem necessidade. “Se há sangramento, por exemplo, é necessário investigar”, explica o ginecologista.
Os exames preventivos também variam. Para o câncer do colo do útero, o Ministério da Saúde passou a adotar o teste molecular para detectar o DNA do HPV como método primário de rastreamento de mulheres e outras pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual. Onde essa tecnologia não está disponível, o Papanicolau continua sendo usado.
Diferenças entre os cuidados
Segundo Alcione, fatores culturais também influenciam a resistência masculina a consultas e exames. Ele cita o exame de toque retal e a associação, feita por alguns homens, entre o procedimento e a masculinidade. O médico afirma que o exame é importante para detectar alterações na próstata.
O acompanhamento ginecológico e a avaliação da próstata, porém, não são equivalentes: têm indicações e objetivos diferentes. Para homens sem sintomas, a decisão sobre exames de câncer de próstata deve considerar individualmente benefícios e possíveis riscos.
Na avaliação do ginecologista, o acompanhamento deve ocorrer nas diferentes fases da vida, do início da puberdade à velhice.







