A Instituição Fiscal Independente (IFI) estima que será necessário contingenciar R$ 35,7 bilhões no próximo ano para o cumprimento da meta fiscal. O órgão ligado ao Senado Federal prevê ainda que o resultado primário ficará abaixo de R$ 1 bilhão, mesmo após as exclusões legais de despesas, o que não bastaria para alcançar a meta no limite inferior da tolerância prevista no arcabouço fiscal.
A projeção da IFI para as contas do governo é de déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027. O cálculo diverge do projeto de lei orçamentária de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto, que considera um superávit de R$ 18,6 bilhões.
Diferenças nas projeções
O governo trabalha com crescimento de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. A IFI usa uma expansão de 1,8%, enquanto o Boletim Focus projeta 1,5%. Para a instituição, a variação no ritmo da economia altera a estimativa de receitas disponíveis para financiar despesas e políticas públicas.
“Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas”, afirma o relatório.
Também há diferenças nas expectativas para a inflação. O governo estima alta de 3,6% do IPCA, contra 4,0% na projeção da IFI e 4,3% no Boletim Focus. Na massa salarial, usada no cálculo da receita previdenciária, o parâmetro oficial é de aumento de 10,1%, enquanto a IFI considera expansão de 7,3%.
A instituição também projeta receitas maiores com a exploração de recursos naturais e com os dividendos pagos ao Tesouro Nacional por empresas estatais. Essa avaliação considera o preço médio do barril de petróleo adotado no cálculo.








